| O Museu do Amanhã, que começou a ser construído nesta terça-feira no Píer Mauá, na Zona Portuária, não será mais custeado com recursos públicos. Orçada em R$ 215 milhões, a obra foi incluída pela prefeitura no leque de intervenções que terão que ser realizadas pelo consórcio Porto Novo, dentro do projeto Porto Maravilha. Projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e com conceito desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho, o museu deverá ficar pronto no primeiro semestre de 2014. Dedicado à ciência, à ética e à tecnologia, ele terá o patrocínio do Banco Santander, que investirá R$ 65 milhões na implantação e na manutenção da instituição por dez anos.
Na cerimônia de lançamento da obra, o prefeito Eduardo Paes disse que espera que o museu se transforme num novo marco arquitetônico do Rio. Paes comparou a estrutura ao Cristo Redentor, aos Arcos da Lapa e ao Sambódromo:
- O museu é a joia da coroa do projeto de revitalização do Porto. É um ícone que se constrói para o Rio e certamente entrará para o imaginário da cidade, como o Sambódromo, os Arcos da Lapa e o Cristo. Será mais uma marca à qual nos apegaremos.
Com linhas arrojadas em aço e vidro, que lembram um animal marinho adormecido, o prédio terá 15 mil metros quadrados e ficará acomodado sobre um espelho d‘água, alimentado com a água da Baía de Guanabara. A água do mar será usada na refrigeração do prédio. Notabilizado pelas suas obras inovadoras, como a Gare do Oriente, em Lisboa, e a Cidade das Artes e da Ciência, em Valência, o arquiteto Calatrava projetou um prédio cujo telhado se movimentará - como se fosse as escamas de um grande peixe - e será forrado de placas de captação de radiação solar, para reduzir os gastos com energia elétrica.
O paisagismo do terreno - que, com 30 mil metros quadrados, inclui, além do museu, espaços de lazer e ciclovias - será desenvolvido pelo escritório Burle Marx. O objetivo é que o projeto possa buscar a certificação internacional de prédio verde.
Com curadoria do físico Luiz Alberto Oliveira, doutor em cosmologia, e do jornalista e professor de cultura brasileira Leonel Kas, o museu terá um formato diferente do das instituições tradicionais, voltadas para a história natural, as ciências e a tecnologia. Ele proporá experiências interativas ao visitante, que poderá passear por ambientes onde estará em discussão a vida do homem nos próximos 50 anos e o futuro do planeta.
- O Museu do Amanhã é um projeto verde e inovador. Ele começa a ser construído com a ambição que o cenário sugere: pensar a complexa teia de relações entre a humanidade e a natureza, a nossa responsabilidade na continuidade da vida e o tipo de vida que nossos filhos e netos terão no futuro. Essas escolhas terão que ser feitas agora. Projeções da ONU apontam que já somos sete bilhões no planeta, que têm que consumir, se alimentar e viver sem devastar o meio ambiente - afirmou o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, que participou da cerimônia.
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