Construtora OSBORNE
Negócios no estado devem movimentar R$ 155 bilhões de 2011 e 2016

RIO - No mundo dos negócios, "janela de oportunidade" costuma ser usada para definir o melhor momento de levar adiante um projeto até então engavetado. No últimos anos, o Estado do Rio tem dado um outro sentido a essa expressão. Por aqui, a oportunidade está por toda parte, e virou sinônimo de estradas, portos, indústrias, transportes, energia e melhorias urbanas. Cálculos da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), recentemente atualizados pelo governo estadual, estimam que os investimentos em curso ou previstos para os próximos cinco anos já somam R$ 155 bilhões. Mais de 50% dos recursos serão desembolsados entre 2011 e 2016.

O maior volume de negócios, sejam públicos ou privados, ocorre no setor de petróleo e gás, na Região Norte Fluminense. Por lá, as empresas pretendem aplicar R$ 83 bilhões. Somente a Petrobras é responsável por investimentos que alcançam R$ 77 bilhões para o período 2010-2012. O Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) - que já está em construção em Itaboraí - representa um investimento de mais de R$ 14 bilhões até 2012. O empreendimento, que deverá entrar em operação em 2014, vai beneficiar a economia de 23 cidades, com a geração de 200 mil empregos diretos e indiretos. Na área da siderurgia, os empresários deverão aplicar mais R$ 20 bilhões, com duas novas indústrias a serem instaladas também no Norte do Estado.

" Nos próximos quatro anos, teremos espaço fiscal de mais R$ 15 bilhões. Só o governo do estado. Isso era algo inimaginável. O nosso desafio é fazer do Rio o melhor lugar para se viver no planeta "

De acordo com dados da Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, os investimentos no Rio têm sido crescentes desde 2007. No estudo realizado pela Federação para o biênio 2008-2010, a estimativa era de investimentos da ordem de R$ 107 bilhões e passou para R$ 126 bilhões (2010-2012). Os valores, contudo, já foram atualizados pelo governo este ano, após o anúncio de outros novos empreendimentos até 2014 e 2016 ou da expansão de projetos que já estavam em construção.

Rio já pegou R$ 9,5 bi em empréstimos.

Para o governador Sérgio Cabral, o pacote de investimentos é resultado da melhora do ambiente de negócios e das características geográficas do estado. Mas, na avaliação do governador, ele é também frutos da reorganização da gestão da pública.

- O Rio ficou dez anos sem pegar empréstimos. Nós, em quatro anos, conseguimos autorização para R$ 9,5 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões já foram utilizados em investimentos. Nos próximos quatro anos, teremos espaço fiscal (capacidade de endividamento) de mais R$ 15 bilhões. Só o governo do estado. Isso era algo inimaginável. O nosso desafio é fazer do Rio o melhor lugar para se viver no planeta. O Brasil está representado no Rio desde aquela coisa quase sertaneja do Noroeste Fluminense até o Sul, com Nova Friburgo e Petrópolis.

Na área de logística, a estimativa é que R$ 11,8 bilhões sejam aplicados em importantes equipamentos, como o Superporto do Açu, em construção pelo Grupo EBX em São João da Barra, no Norte Fluminense. O porto terá capacidade de operar com grandes navios e permitirá o escoamento da produção das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. O EBX está construindo também o Superporto do Sudeste, em Itaguaí, orçado em R$ 1,8 bilhão. O estaleiro OSX deve gerar 14 mil empregos diretos no Norte Fluminense. Mais estaleiros estão programados para Itaguaí e a Zona Portuária do Rio.

" A agenda esportiva tem levado o Rio para a economia do século XXI "

Outro grande empreendimento, só que na área de energia, é a construção de Angra 3, orçada em mais de R$ 7,3 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o financiamento da obra, que deverá gerar nove mil empregos na fase de construção e 500 vagas, a partir do início da operação da usina.

O secretário estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, atribui o bom momento do Rio a três fatores. Um deles está relacionado ao mercado de commodities, como petróleo, gás e minério de ferro, que tem impulsionado investimentos também em logística. A descoberta do pré-sal explica muito dos recursos que têm sido destinados para o estado.

- Além do vetor commodities, temos a internacionalização do Rio, com a Copa do Mundo e os Jogos de 2016. A agenda esportiva tem levado o Rio para a economia do século XXI. O terceiro vetor tem a ver com a revitalização da área pública. A organização da parte administrativa do estado e da prefeitura tem criado a oportunidade de o poder público fazer investimentos - explica Bueno.

Na indústria de transformação, a Michelin decidiu investir R$ 650 milhões em sua quinta fábrica no Rio. A previsão é que as obras comecem em dezembro de 2012 em Itatiaia. Em Três Rios, a Nestlé planeja a construção de uma fábrica, num total de investimentos de R$ 300 milhões. O Rio será sede também da primeira fábrica de bicicletas e motocicletas elétricas do Brasil. O negócio anunciado pela Kasinski deverá ser instalado no Sul Fluminense já em 2011. Nos cálculos de investimentos do governo e da Firjan entram ainda os BRT‘s, que estão sendo construídos pela prefeitura, a compra de 30 trens para a Supervia, a Linha 4 do Metrô (Gávea-Barra), e a revitalização do porto do Rio. No total, as melhorias urbanas estão avaliadas em mais de R$ 15 bilhões.

Segundo a Firjan, há uma tendência de interiorização dos investimentos. O Leste Fluminense, onde ficará o Comperj, receberá a maior parcela do total de recursos (12,3%), seguido do Norte (10,3%). O município do Rio deverá ser beneficiado com 4,2% dos recursos públicos e privados.

A Secretaria de Desenvolvimento ressalta que a descoberta de óleo no pré-sal atraiu mais empresas para o Parque Tecnológico do Fundão. Nos últimos 12 meses, seis grupos anunciaram projetos para a área: Schlumberger, Halliburton, Baker Hughes, FMC, Usiminas e, recentemente, a General Eletric (GE). O total de investimentos chega a R$ 300 milhões, com capacidade de gerar 500 empregos de alta qualificação para mestres e doutores. As obras estão previstas para 2011 e 2012.

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